
O GPS ou "Global
Positioning System" é um sistema de posicionamento a partir de
sinais enviados por uma rede de satélites, mantida pelo DOD, o
departamento de defesa dos EUA.
Os satélites orbitam o planeta em uma órbita geoestacionária, a
20.200 km de altitude, formando uma constelação de satélites,
projetada de forma que pelo menos 4 satélites sejam visíveis a
partir de qualquer ponto do planeta. Inicialmente a rede contava
com 24 satélites, mas actualmente já conta com 32. Este desenho
fornecido pelo Google ilustra bem o conceito:

Os satélites transmitem
um sinal de alta frequência, contendo pacotes de informação com
indicações precisas da hora em que cada um foi transmitido. Os
receptores em terra captam o sinal e usam um sistema de
trilateração para calcular a posição, comparando a diferença de
tempo entre a transmissão e a recepção de cada pacote e
calculando assim a distância de cada satélite. Conforme você se
desloca, a distância em relação aos satélites muda, gerando uma
pequena diferença no tempo do percurso, que é usada para
actualizar a localização.
O receptor precisa do sinal de três satélites para calcular a
posição (latitude e longitude) e com o sinal de 4 satélites é
possível calcular também a altitude, fornecendo as coordenadas
3D:
No espaço, o sinal se propaga à velocidade da luz, de forma que
ele ele demora apenas algumas frações de segundo para percorrer
a distância entre o satélite e o receptor. Dentro da atmosfera,
a velocidade é um pouco mais baixa, já que a ionosfera e a
atmosfera causam um leve atraso na propagação do sinal em
relação à velocidade da luz (fenômeno batizado de atraso
ionosférico), uma diferença que é levada em conta durante o
cálculo da posição.
Como pode imaginar, para que o sistema funcione foi necessário
equipar os satélites com relógios extremamente precisos, já que
uma diferença de um milésimo de segundo seria suficiente para
provocar um erro de quase 300 km no cálculo da posição. Mesmo um
atraso pequeno, de apenas um microsegundo, provocaria um desvio
de 300 metros.
Um exemplo da precisão do sistema é que os satélites precisam
ser ajustados em algumas frações de nanosegundo periodicamente
para corrigir pequenos desvios decorrentes da diferença
gravitacional entre os relógios na terra e no espaço. Como
previsto pela lei da relatividade, relógios em terra correm
sutilmente mais devagar que relógios em órbita, devido à
diferença na força gravitacional a que estão expostos (quanto
mais forte é a gravidade, mais devagar correm os relógios), uma
diferença de 45.9 microsegundos por dia, que comprometeria a
precisão do sistema caso não fosse corrigida.
No caso dos satélites, a solução é usar relógios atômicos,
combinados com um elaborado sistema de ajuste coordenado por
estações em terra. Naturalmente, não seria possível usar
relógios atômicos também nos receptores, por isso os projetistas
chegaram a uma solução simples e engenhosa: ao ser ligado o
receptor sincroniza seu relógio com o de um dos satélites,
simplesmente usando o horário incluído por ele nos pacotes. Isso
permite que os receptores utilizem cristais de quartzo, como os
usados em placas-mãe e outros eletrônicos, que são baratos e
suficientemente precisos para a tarefa.
Como tantas outras tecnologias, o sistema de posicionamento
global surgiu com propósitos puramente militares, mas com o
tempo acabou sendo aberto para uso civil. Inicialmente, o sinal
era deliberadamente degradado, o que fazia com que a margem de
erro ficasse acima dos 100 metros. Apenas os militarem tinham
acesso aos códigos necessários para corrigir o desvio e usar o
sistema com precisão máxima.
Com medo de que isso levasse outros países a criarem um sistema
concorrente (o que no final acabou acontecendo de qualquer
forma, com o Glonass russo e o Galileo europeu), o departamento
de defesa decidiu eliminar o desvio, oferecendo o sinal
gratuitamente e com precisão máxima para todos os interessados a
partir de maio do ano 2000, mantendo entretanto a possibilidade
de degradar o sinal em zonas de conflito.
Graças a isso, a margem de erro de um receptor médio fica, na
maioria do tempo, abaixo dos 10 metros, e alguns receptores de
uso científico chegam a trabalham com margens de erro na faixa
dos milímetros